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Quem me acompanha neste blog, sabe que eu sou suuuuper a favor de vacinar crianças, adultos e idosos. No caso específico dos pequeninos, acredito que mantê-los protegidos e saudáveis é obrigação de qualquer pai e mãe. A mesma opinião tem o ginecologista mexicano Jorge Téllez (foto acima), de 69 anos, que infelizmente não teve a oportunidade de receber a vacina contra a poliomielite (também conhecida como paralisia infantil) porque estava indisponível na época em que nasceu, conforme contou em evento promovido pela farmacêutica Sanofi Pasteur, na Cidade do México, neste mês de outubro quando se comemora o Dia Mundial de Combate à Poliomielite (24/10).

– Eu nasci em 1949 e as primeiras vacinas começaram a surgir em 1955. Por isso, fui uma das vítimas da pólio aos 11 meses. Hoje em dia, com a vacina disponível, sinto raiva dos pais que não querem vacinar seus filhos, pois colocam em risco não só a vida deles como também de outras pessoas.

Blog Saúde e Perspectivas: “Os pais que não vacinam seus filhos estão cometendo um crime”

Desde 1998, a vacina contra a pólio conseguiu reduzir em 99% os casos da doença, sendo que o último registro nas Américas aconteceu no Peru, em 1991. Mesmo assim, a pediatra Lúcia Bricks, diretora médica para Meningite e PPH da Sanofi Pasteur Latinoamérica, alerta a importância de continuar imunizando as crianças.

– Falta 1% para erradicar a pólio e, mesmo parecendo pouco, é importante lembrar que ainda não ganhamos a partida. A vacina hexavalente inativa é segura e efetiva. Outra vantagem dela é que com apenas uma picada a criança fica imunizada contra seis doenças [difteria, tétano, coqueluche, meningite provocada pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b, hepatite B e poliomielite].

O baby Nicolas recebeu a vacina hexavalente inativa que, como eu contei pelas redes sociais na época, foi coberta pelo meu plano de saúde. Entretanto, quero lembrar que o SUS (Sistema Público de Saúde) também oferece a vacina contra a pólio. Embora não seja a mesma da rede privada, quero enfatizar que isso não significa que ela seja ruim. O Brasil tem uma das melhores coberturas vacinais do mundo, por isso sempre digo que o importante é imunizar!

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Voltando à poliomielite, quero ressaltar que é uma doença altamente contagiosa, causada pelo poliovírus, que costuma infectar crianças abaixo de 5 anos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca dos infectados. Sendo assim, o vírus é transmitido de pessoa para pessoa, podendo ou não causar paralisias. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, em geral, dos membros inferiores (pernas), mas também pode levar à morte.

Segundo o infectologista Abiel Mascareñas, presidente da Sociedade Latinoamericana de Infectologia Pediátrica, a maioria das pessoas infectadas não fica doente e não manifesta sintomas, deixando a doença passar despercebida.

– Entretanto, quando os sintomas surgem, como dor de garganta e cabeça, febre, fadiga e náuseas, podem ser facilmente confundidos com a gripe. Esses sinais costumam durar de 2 a 5 dias e depois desaparecem. O problema é que a cada 200 infecções, uma causa paralisia irreversível.

No caso de Jorge, os problemas mais graves começaram a aparecer por volta dos 40 anos, quando ele começou a sentir fraqueza nas pernas, dor nas costas etc. Depois de algumas pesquisas na internet, ele descobriu que o quadro era conhecido como Síndrome Pós-pólio (SPP), sendo a perda das funções musculares a principal característica da doença.

– Me lembro que caí fazendo uma cesárea porque senti fraqueza nas pernas. Nessa época, ainda podia ficar em pé, mas já fiquei com aquele sentimento de impotência. Com o tempo, precisei de muletas e agora cadeira de rodas. Fui e continuo sendo um felizardo de ter o apoio da minha família durante todo esse tempo. Nada é mais valioso do que ter a minha família.

O relato do médico, que é casado há 42 anos e tem dois filhos, comoveu a plateia de jornalistas da América Latina (foto do grupo completo logo abaixo). Ele, que também é fundador da Rede Internacional de Sobreviventes da Poliomielite na América Latina, aproveitou a oportunidade para elogiar o Brasil que criou um centro de pesquisa específico para a Síndrome Pós-pólio, oferecendo tratamento de primeira linha para esses pacientes.

– Adoro o Brasil! São Paulo tem ótimos centros de reabilitação neurológica para os pacientes de pólio, que é uma doença incurável, progressiva e degenerativa, mas com o tratamento adequado é possível ter qualidade de vida e não depender dos outros ou terminar em uma cama.

Por enquanto, a pólio ainda existe no Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Embora o Brasil não registre casos desde 1990, a pediatra Lúcia avisa que é importante continuar vacinando as crianças menores de cinco anos para conseguirmos erradicar a doença no mundo. E, claro, não esquecer dos reforços!

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Uma vez erradicada, o infectologista Mascareñas lembra que será possível utilizar a verba destinada à poliomielite para outras doenças.

– Com a erradicação, serão economizados entre US$ 40 e US$ 50 mil nos próximos 20 anos para serem usados em benefício de outras doenças.

*A jornalista Fabiana Grillo viajou à Cidade do México a convite da farmacêutica Sanofi Pasteur, que não teve qualquer influencia na produção deste conteúdo

 

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